RESENHA | O Garoto Quase Atropelado, Vinícius Grossos

13:50



"Antes de começar a ler, ATENÇÃO! Você não saberá o nome do autor deste diário, nem onde ele mora, nem terá nenhuma outra informação que possa identificá-lo. Ele pode ter sido o seu vizinho, um caso de que ouviu falar, ou o menino que estudou com você semestre passado...Ma uma coisa é certa: você irá conhecê-lo de uma forma profunda, verdadeira e cruel. O garoto quase atropelado sofreu uma terrível perda e precisa começar a escrever um diário para tentar entender o sentido da morte e sair de um princípio de depressão profunda. Só que ele não imaginava que ao conhecer a cabelo de raposa, o James Dean não tão bonito e a menina de cabelo roxo sua vida mudaria para sempre."

Ganhei um exemplar de "O garoto quase atropelado" do meu amigo Guilherme Heitor (que também um ótimo escritor e vocês podem encontrar a obra dele clicando aqui) como presente de aniversário e iniciei a leitura logo após sofrer um baque na minha vida. Coincidentemente, as primeiras páginas do livro retratavam exatamente a situação em que eu me encontrava e isso serviu para que eu engatasse ainda mais na leitura e quisesse explorar cada linha escrita por Vinícius Grossos.

"Realmente, é difícil lidar com a dor, que parece infinita, quando você perde a única pessoa que não o deixava se sentir a criatura mais solitária e perdida do mundo. De vez em quando ainda escuto a voz dele... Ele grita, pedindo minha ajuda... Mas eu falho. Não consigo salvá-lo e sempre o perco, repetidas vezes."

A história gira em torno do, é claro, garoto-quase-atropelado e seus recém-feitos amigos após um acontecimento importante na vida do narrador: a cabelo de raposa, menina do cabelo roxo e James Dean nem tão bonito.  Devido a esse acontecimento importante, o narrador (que você não saberá o nome) tem a tarefa de escrever em um diário como um processo de tratamento psicológico e toda a trama surge de seus registros, pensamentos, emoções, descrições. As aventuras do quarteto são cativantes e muito gostosas de serem lidas, dão um sensação de conforto e de liberdade durante a leitura, de desprendimento do mundo para um plano onde só há leveza. "uma vez que você sente o gosto da liberdade, é praticamente impossível se conformar com certas restrições".

Durante as páginas acompanhamos todo o desenvolvimento pessoal do garoto-quase-atropelado, sentimos suas angústias e suas alegrias e somos teletransportados não só para o seu mundo como também para o mundo da Laís, Nathália e Acácio, personagens de extrema importância na narrativa em que suas histórias de vida tem muito a dizer e a ensinar.

"- E porque você fez isso? - perguntei.
- Era a única forma de fazer você ficar, não?
- Não. Era só você ter me pedido."

"A verdade era que naquele instante, aqueles segundos, sem a menor sombra de dúvida, eram daqueles tipos de momentos que passam por nós quase correndo, e se você não esticar a mão para agarrá-los e forçá-los a serem seus você nunca mais os terá de novo." E foi com esse trecho que O garoto quase atropelado cumpriu seu papel para mim, de percepção e valorização dos detalhes, do pequeno, do simbólico, do sentido que pequenas coisas despercebidas e fugazes têm e da necessidade que elas têm de serem valorizadas.

Não irei me ater a falar sobre os personagens que compõe o livro porque é interessante que o leitor descubra e dispa os personagens a medida que for lendo, cada um é uma caixinha de surpresas que podem ser boas ou realmente muito ruins.

"Há tantas camadas monstruosas do meu ser, que acho que meu maior medo é me mostrar para mim mesma"

A escrita e a narração da obra de Vinícius não é surpreendente, não é de tirar o fôlego, ela é leve e ela precisa ser leve, tranquila, algo parecido com conforto. Depois de ler tanta literatura pesada durante o período da faculdade, o garoto quase atropelado foi como um remédio de alívio. Não é uma leitura que te bate e te deixa chorando no chão, é mais reconfortante e isso é muito bom. Me faz pensar que nem toda boa leitura precisa, necessariamente, acabar com a o emocional e com a sanidade do leitor.

A história dos quatro adolescentes é, realmente, cativamente. Confesso que em alguns momentos não entendi o porquê de algumas abordagens e isso me incomodou um pouco, mas isso de maneira nenhuma invalida o conjunto completo da obra que vale muito a pena ser lida e repassada. O garoto quase atropelado é um bom livro, um livro gostoso de ler, um livro que me passou, entre outras coisas, tranquilidade. 


"Apesar de que, para ser honesto, a fantasia é uma das poucas coisas que ainda me restam"

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6 comentários

  1. ahh eu sei bem como é ler algo mais leve depois de leituras pesadas na faculdade, Gosto de livros assim, achei interessante e adorei as fotos!

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

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    1. Eu também gosto muito, ainda mais depois de uma leitura pesada. Obrigada pela visita ♥

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  2. Estou procurando bons livros para ler será tens alguma sugedstão para mim?
    Adorei o seu blogue

    https://coisasdecrespasoficial.blogspot.com/2018/01/contominhahistoria-1.html

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    1. Obrigada, meu bem! Volte sempre para anotar mais dicas, toda semana sai uma resenha nova por aqui ♥

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  3. Oi Júlia!
    Esse livro....como eu amei essa leitura!Ele me conquistou de uma forma que eu não imaginava ser possível.
    Os personagens são cativantes e o final foi exatamente o que você disse:não deixa o leitor jogado no chão,faz a gente refletir um pouquinho em algumas situações da vida.Achei interessante o autor não dar um nome para o narrador,só chamando de O Garoto Quase Atropelado kkkkkkkk
    Beijos!

    http://livreirocultural.blogspot.com.br/

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    1. É uma leitura cativante, né? Gostei muito também!

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